Entre a tristeza e a glória: a luta de Norton até o gol da vitória

27/01/2020

26 de janeiro de 2019, oito horas da noite. O Gama vencia o Bolamense em dia iluminado de Tarta e Jefferson Maranhão, que comandavam a goleada alviverde por 5 x 0 ainda no primeiro tempo. O volante abriu o placar, marcando dois gols de falta praticamente em sequência. O atacante marcou um hat-trick que garantiu os primeiros três pontos do time que viria a erguer o troféu em abril. Apesar da chuva, muita festa nas arquibancadas: era uma noite e tanto. Exceto para uma pessoa.

Norton, meia alviverde muito importante na construção das jogadas daquela partida, caiu no gramado, aos 35 minutos de jogo, próximo ao alambrado do setor leste do Estádio Bezerrão. O jogo teve de ser parado e o atendimento foi demorado. O sinal de substituição foi feito pelos profissionais que atendiam o atleta e Wanderson entrou em seu lugar. Em lágrimas na beira oposta do gramado, Norton estava diante do início de um duríssimo ano para sua carreira. Ele havia rompido o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo.

“Foi um ano muito difícil para mim. Passei muito tempo sozinho aqui no Centro de Treinamento enquanto todos os outros treinavam. Passa muita coisa pela cabeça da gente nessas horas”, conta o atleta.

Volta por cima

Mas o mundo dá voltas. No último sábado (25), Luquinhas foi substituído no segundo tempo. O Gama vencia o Taguatinga por 3 x 0 e, para o lugar do atacante, Vilson Tadei mandou Norton. O meia entrou em campo e viu o Taguatinga crescer e encostar no placar, fazendo dois gols e indo para cima em busca do empate. No minuto seguinte após o segundo gol adversário, Emerson ampliou a vantagem alviverde e a partida entrava em sua reta final. Faltava, porém, o gran finale.

Aos 38 minutos de jogo, Nunes encontrou Malaquias em velocidade pela direta. O centroavante lançou e Malaquias invadiu a área, sendo derrubado pela marcação. Contudo, mesmo no desequilibro, ele cruzou bola rasteira para Norton. O meia apenas empurrou a bola para o gol vazio e decretou a vitória do Gama: 5 x 2. Na comemoração, Norton ajoelhou e apontou os indicadores para o céu: “Passou um filme pela minha cabeça. Pensei em muitas coisas, por tudo o que eu passei até ali. Meus olhos encheram de água e mais um pouco eu teria chorado. Só consegui agradecer a Deus” confessa.

Recuperação

Norton ficou quase um ano inteiro se recuperando. Depois da cirurgia, teve de se dedicar às sessões de fisioterapia. O jogador explica que foi difícil, mas conseguiu manter os ânimos: “É difícil. Você vê os outros jogando, indo bem. Isso te gera uma vontade de entrar em campo, mas não tinha como por conta da lesão”. 

Por mais que fossem complicados os momentos longe dos gramados, Norton conta que sempre manteve a mente focada na recuperação: “Eu nunca pensei em parar de jogar, isso não passou pela cabeça. Na verdade, me mantive focado e pensava somente em me recuperar o mais rápido possível. Minha família e a Paola, minha namorada, estiveram comigo e sempre me apoiaram. Sou muito grato a eles”, conta Norton.

E ele também não deixa de agradecer os profissionais que estiveram com ele na recuperação: “Não posso deixar de lembrar de todos da Clínica Fisiogama. Sou muito agradecido por tudo que eles fizeram por mim”.

Página virada e grupo entrosado

Recuperado de sua lesão, Norton agora tem foco total na temporada. A goleada gamense foi apenas o primeiro compromisso de muitos que virão no ano. E no elenco que disputará, entre tantas competições, o acesso à Série C do Brasileirão, Norton tem um desafio pessoal: a reconquista de seu espaço no grupo.

Dividindo a mesma função com ele, está Esquerdinha. O meia, que veio do futebol árabe, tem muita qualidade técnica e chegou a ser destaque do Campeonato Goiano anos atrás. Por isso, Norton sabe que, naturalmente, haverá uma disputa pela posição durante o ano. Mas ele se mantém humilde: “Eu darei o melhor que eu puder pela equipe, mas quem decide quem vai ficar na posição é o professor Tadei. É uma questão que está em boas mãos”, comenta. 

Sobre o grupo, Norton não esconde a admiração. E para o meia, a equipe é qualificada: “Eu gosto desse grupo, acredito muito na força que temos. Sobra entrosamento e o time tem totais condições de subir para a Série C, que é o objetivo principal. Vamos buscar esse acesso com tudo que temos”. E ele completa: “A torcida pode esperar muito empenho da minha parte. Vou fazer de tudo para que esse ano seja grande”, finaliza.

 

Por Departamento de Comunicação