Nunes: “Vim pelo desafio. Quero dar volta olímpica junto com os torcedores"

27/02/2019

No último domingo (24), o atacante Nunes marcou pela primeira vez no Candangão 2019. Apesar disso, não foi o primeiro gol que ele marcou com a camisa alviverde. O jogador passou pelo clube em 2007 e, após 12 anos, voltou a balançar as redes – e não faltou emoção nesse gol, que definiu a vitória e a liderança para o Gama.

O desafio de jogar pelo Gama

O atacante Nunes sempre ficou marcado pelo sucesso nos clubes em que passou. Ainda como junior, fez o gol do título da Copa São Paulo ao Santo André – onde também foi campeão da Copa do Brasil. Após rodar por grandes clubes, como Coritiba e Vasco, ele escolheu o Gama “pelo desafio”, como ele mesmo fala.

“Sempre gostei de pressão, sempre foi uma motivação a mais para mim, porque a vontade de se superar a cada dia aumenta”, diz o jogador. E, essa pressão no Gama, ele relaciona à fanática torcida alviverde: “Alcançar o sucesso em um time com uma torcida fanática como a do Gama, onde você sente a pressão diária, era algo que queria sentir novamente. Eu sentia a necessidade de voltar a vestir a camisa do Gama”, completou Nunes.

 

Lesão no início; Vontade de jogar

Logo na preparação, Nunes acabou sofrendo uma lesão muscular, algo incomum em seus quase 20 de anos de carreira. O jogador relacionou isso a vontade de jogar: “Eu cheguei no Gama com muita vontade de vencer e procurei demonstrar isso em campo. Eu treinava forte, talvez por isso acabei me lesionando, por não dosar essa vontade”, comenta. Mas, apesar de ficar triste por ter ficado de fora dos primeiros jogos, ele foi direto ao falar sobre sua recuperação: “Eu não desanimei, continuei treinando, mantendo minha forma e trabalhando forte para voltar a jogar e quando voltei, dei o máximo de mim, como vou continuar fazendo em todos os jogos”.

Roteiro incomum (mas perfeito)

No dia em que Nunes foi apresentado, se esperava que ele entrasse de primeira e fosse o coração do ataque alviverde, fazendo os gols decisivos, porém, por conta de sua lesão, o destino reservou um roteiro diferente, que acabou sendo melhor.

“Da forma que foi, com a cobrança de marcar um gol, eu pude aprender a administrar a pressão por esse gol e ao mesmo tempo mostrar toda minha vontade de marcar para a torcida do Gama”, disse Nunes. “Nada é por acaso. Eu acredito muito em Deus e que tudo é um propósito dele”, completou.

Ao entrar pela segunda vez como titular, o jogador marcou o gol que deu a vitória e comemorou o fato exatamente da forma que foi: “No final das contas, pude marcar no momento certo, na hora exata, quando mais precisamos eu consegui colocar a bola na rede e eu quero deixar isso para a torcida e aos meus companheiros: estou aqui para dar o melhor de mim em todos os momentos, não fugirei da responsabilidade e quero ser decisivo para ajudar o Gama em nosso objetivo, que é o título”, comemora o jogador.

“Estou vivendo o clube intensamente”

Quando perguntado sobre a responsabilidade de ser um dos mais experientes do elenco, o jogador é enfático: “É uma responsabilidade que eu tenho de assumir e nunca fugirei dela”. O jogador, aos 37 anos, ainda completa: “Eu sou o mais velho, já passei por muita coisa no futebol e tenho que dar o exemplo e por isso gosto de treinar até mais que os mais novos, para dar o exemplo. Sou o primeiro a chegar e o último a sair e estou vivendo o clube intensamente”.

Nunes ainda faz questão de esclarecer o passado, para deixar claro que hoje é um profissional da Sociedade Esportiva do Gama: “Eu tenho a consciência de que nunca desrespeitei o Gama, o que aconteceu foi com os jogadores e agora eu irei defender o Gama como se fosse o último clube da minha vida”. O jogador ainda relacionou com a pressão que ele carrega: “Isso me ajudou a administrar a pressão pelo gol, a vontade de mostrar que eu farei de tudo para alcançar o meu objetivo no Gama, que é dar calendário ao clube. O gol foi consequência e espero que, aquele momento único, onde a torcida gritou meu nome e eu pude comemorar com eles o gol da vitória, se repita por várias vezes nesse campeonato”, completou Nunes.

União com companheiros; Pedido especial à torcida

Nunes participou de três dos últimos quatro gols do alviverde e, nessas três vezes, recebeu o carinho de seus companheiros, que o apontaram à torcida, pedindo apoio à Nunes. Quando perguntado sobre essa atitude de seus companheiros, o jogador fala: “Para mim, isso é tudo”. Nunes ainda completa: “Quando você tem um grupo que te apoia, como os meus companheiros tem me apoiado, é muito bom, passa toda a confiança que você precisa”.

O jogador também agradeceu o apoio da torcida, quando marcou o gol da vitória – e da liderança. “A torcida do Gama é fanática. Eles sabem o poder que tem e que eles são o coração do Gama. É disso que precisamos, mais momentos como o de Formosa, onde a torcida nos empurre para superar as dificuldades”.

Leia a entrevista de Nunes, na íntegra:

Por que o Gama?

Em primeiro lugar, pela grandeza do Gama. E em segundo lugar, pelo desafio. Como jogador eu sempre gostei de pressão, sempre foi uma motivação a mais para mim, porque a vontade de se superar a cada dia aumenta. Alcançar o sucesso em um time com uma torcida fanática como a do Gama, onde você sente a pressão diária, era algo que eu queria sentir novamente e, como eu passei aqui em 2007 e não fiquei por muito tempo, sentia a necessidade de voltar a vestir a camisa do Gama. Tive outras propostas para voltar à Brasília, mas coloquei na minha cabeça: só voltaria se fosse para o Gama.

Como foi ficar de fora nos primeiros jogos tendo de administrar a vontade de jogar e o tratamento da lesão?

Eu cheguei no Gama com muita vontade de vencer e procurei demonstrar isso em campo. Eu treinava forte, talvez por isso acabei me lesionando, por não dosar essa vontade. Fiquei triste porque eu vendo o ótimo começo de competição que fizemos, dava muita vontade de estar lá dentro, fazendo gols, ajudando meus companheiros e também chegaria com uma forma boa para essa fase mais difícil do campeonato. Mas eu não desanimei, continuei treinando, mantendo minha forma e trabalhando forte para voltar a jogar e quando voltei, dei o máximo de mim, como vou continuar fazendo em todos os jogos.

Como foi para você, voltando após 12 anos, marcar novamente com a camisa do Gama?

Para você ver, nada é por acaso. Eu acredito muito em Deus e que tudo é um propósito dele. Quem sabe eu começo jogando, marco um ou dois gols e simplesmente ficar com a marca “só marcou porque ganhou de 5”. Agora, da forma que foi, com a cobrança de marcar um gol, eu pude aprender a administrar a pressão por esse gol e ao mesmo tempo mostrar toda minha vontade de marcar para a torcida do Gama. No final das contas, pude marcar no momento certo, na hora exata, quando mais precisamos eu consegui colocar a bola na rede e eu quero deixar isso para a torcida e aos meus companheiros: estou aqui para dar o melhor de mim em todos os momentos, não fugirei da responsabilidade e quero ser decisivo para ajudar o Gama em nosso objetivo, que é o título. 

Como você administrou a pressão por esse gol?

Desde que eu alcancei um certo nível no futebol, eu passei a chegar nos clubes pressionado, então fui aprendendo a lidar com essa pressão. Eu sei como é a torcida do Gama e que iria ser cobrado, porém eu tenho a plena consciência de que nunca desrespeitei o Gama, o que aconteceu foi com os jogadores e agora eu irei defender o Gama como se fosse o último clube da minha vida. Isso me ajudou a administrar essa pressão, a vontade de mostrar que eu farei de tudo para alcançar o meu objetivo no Gama, que é dar calendário ao clube. O gol foi consequência e espero que, aquele momento único, onde a torcida gritou meu nome e eu pude comemorar com eles o gol da vitória, se repita por várias vezes nesse campeonato. No final, quero ser campeão e dar volta olímpica com a torcida, todos eles, críticos ou não. Eles e eu estamos juntos pelo mesmo objetivo.

Já contra o Luziânia, quando você participou dos dois gols, os jogadores apontaram você à torcida, reverenciando sua jogada e, repetiram o gesto ontem, quando marcou o gol. Qual o significado para você, desse apoio dos seus companheiros e como isso lhe motivou?

Para mim, isso é tudo. Quando você tem um grupo que te apoia, como os meus companheiros tem me apoiado, é muito bom, passa toda a confiança que você precisa. Todos ali veem a minha luta, sabem que eu estou determinado a alcançar o título pelo Gama. Eu sou o primeiro a chegar, o último a sair e estou vivendo o clube intensamente. E não só os jogadores, como comissão técnica, diretoria. Eu sou o mais velho, já passei por muita coisa no futebol e tenho que dar o exemplo, é uma responsabilidade que eu tenho de assumir e por isso gosto de treinar até mais que os mais novos, para dar o exemplo. Graças a Deus, tenho conseguido alcançar meus companheiros e dar esse exemplo. Estamos unidos em um objetivo, dar calendário ao Gama. A gente vai chegar, eu tenho fé nisso.

Por fim, um recado a torcida. O que eles podem esperar do Nunes para o restante do campeonato?

No jogo contra o Formosa, nós estávamos passando um aperto, o jogo estava difícil, mas a torcida do Gama não parou de cantar e quando eu fiz o gol me apoiaram e comemoramos juntos. A torcida do Gama é fanática. Eles sabem o poder que tem e que eles são o coração do Gama. É disso que precisamos, mais momentos como o de Formosa, onde a torcida nos empurre para superar as dificuldades.

 

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